Mianmar já tem 22,5 mil mortos por ciclone

[3 de maio de 2008] O violento ciclone no delta do Irrawaddy, em Mianmar (antiga Birmânia), provocou uma gigantesca onda que deixou as pessoas sem ter para onde fugir, matando pelo menos 22,5 mil e deixando 41 mil desaparecidos, disseram autoridades na terça-feira (6).

A passagem do ciclone "Nargis", no ultimo sábado, causou a queda de alguns prédios do centro de Yangun e deixou Mianmar incomunicável com o exterior devido a avarias no sistema de telecomunicações. Segundo dados da CIA, a população do país é de 47,7 milhões.

Segundo a agência de notícias France Presse, o presidente norte-americano, George W. Bush, pediu nesta terça-feira (6) que a junta militar que controla Mianmar "permita que os Estados Unidos envie ajuda." Agências de ajuda disseram que centenas de milhares de pessoas estão desabrigadas e sem água no país governado por uma junta militar.

"Mais mortes foram causadas pelo maremoto do que pela tempestade propriamente dita", disse o ministro de Auxílio e Recolocação, Maung Maung Swe, em entrevista coletiva na devastada Yangun, antiga capital do país, onde já começa a faltar água e comida.

"A onda tinha até 3,5 metros de altura e inundou metade das casas em aldeias baixas", disse ele, oferecendo a primeira descrição detalhada do ciclone do fim de semana. "(Os moradores) não tinham para onde fugir."

Foi o pior ciclone na Ásia desde 1991, quando 143 mil pessoas morreram em Bangladesh.

O chanceler da Tailândia, Noppadol Pattama, reuniu-se em Bangcoc com o embaixador birmanês, que lhe disse haver 30 mil desaparecidos por causa do ciclone Nargis.

"Os prejuízos foram muitos maiores do que esperávamos", disse o chanceler. O embaixador Ye Win não quis falar a jornalistas.

Fontes da ONU dizem que centenas de milhares de pessoas ficaram desabrigadas por causa dos ventos de até 190 km/h e do maremoto subseqüente.

Uma lista de mortos e desaparecidos em cada cidade, lida pelo general-ministro Nyan Win, cita 14.859 vítimas fatais no delta do Irrawady e 59 na Grande Yangun, a maior cidade do país, com 5 milhões de habitantes. Quatro dias depois do ciclone, a antiga Rangum continua sem eletricidade, e os moradores fazem fila para comprar água engarrafada.

Os preços dos alimentos, dos combustíveis e dos materiais de construção dispararam. Velas e pilhas se esgotaram na maioria das lojas. Um ovo custa três vezes mais do que custava na sexta-feira.

Previsão

O serviço de meteorologia da Índia informou nesta terça-feira que preveniu a vizinha Mianmar 48 horas antes da chegada do ciclone "Nargis", informou nesta terça-feira (6) a agência de notícias France Presse.

"Quarenta e oito horas antes do Nargis atingir (Mianmar), fornecemos às agências birmanesas o ponto de impacto (do ciclone), sua gravidade e todos os assuntos vinculados", declarou à agência o porta-voz do departamento indiano de meteorologia, B. P. Yadav, um organismo público vinculado à Organização Meterológica Mundial (OMM).

"Nosso trabalho consiste em emitir advertências por antecedência e estamos orgulhosos de termos advertido com tanto tempo de antecedência. Havia tempo suficiente para adotar medidas de precaução como a evacuação", disse Yadav.

A OMM vigia a evolução das tempestades ciclônicas no Oceano Índico, no sul e sudeste asiáticos.

Fonte(s) / Foto(s): G1 - Globo News

Nenhum comentário: